domingo, 27 de fevereiro de 2011

Dias escuros

São nesses dias que eu paro para pensar
Na verdade coberta de sangue inocente.
São nesses dias que eu queria poder acreditar
Que tudo vai ficar bem por que alguém olha por mim.

Esses dias são cinza e assassinos,
São dor e ódio, são lindos desastres.
Dias esqueléticos que vivem me reprimindo,
Empurrando-me contra o vidro, me sangrando sem matar.

E eu estou desfazendo-me em pedaços,
No açougue da caveira de capuz.
Não consigo preencher os espaços,
Pois não sou o anjo nem o exu.

Sinto-me deslocado a cada passo,
Sinto-me sozinho até acompanhado.
Sinto-me com raiva ate na paz,
Sinto-me vazio até com o que me satisfaz.

Eu sou tudo e não sou nada,
Eu sou a vontade que me falta.
Eu sou a sede humana de existir,
Eu sou o triste e sou o feliz.

O vento que sopra...

                Era um final de tarde triste. Não havia musica, não havia festa, não havia bebida. Só havia o cheiro incomodo de mormaço.
                Eu tentava me entrelaçar nossos braços para que não nos separássemos quando os ventos fortes da noite soprassem no infinito do nosso momento.
                Foi um sonho, mas está escuro e o vento sopra. Será que já esteve aqui? Será que eu não consegui e você voou para longe? Ou talvez nunca esteve perto.
                E tudo está indo bem. Meus olhos se acostumaram a enxergar. Antes de o sol nascer os gritos agonizantes de cada manhã são apenas rotina.
                Só queria algum dia te olhar e poder sentir que você também sonhou com aquele fim de tarde. Eu prometeria que desta vez não deixaria o vento te levar. Porque você seria minha para sempre!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Relato Número 946

            Hoje eu me senti morto por não poder fazer o que quero. Mas não por não ter coragem, e sim por saber que pode ser bem melhor.
            A cada dia a vontade cresce mais, e eu luto para conter meus desejos, pra não me deixar levar por esse sentimento.
            “É como ver os talheres e não poder tocar.”
            É questão de tempo, tudo se trata de paciência. Mas como uma acusação de homicídio, são 9 X 1. Não existem Hércules fora dos livros.
            Todo esse assunto é tão polêmico, a libertação de um condenado causaria menos estrago à sociedade do que a rejeição dessa vontade a mim.
            São anos de espera, anos tentando entender. Eu suprimo a minha própria liberdade por não querer magoar outra pessoa. E pela primeira vez, sinto que me importo com alguém.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Eles ainda vão tentar me corromper

                A hora era avançada, mas o sol ainda não havia aparecido. Era frio e de certa forma calmo... Não havia nenhum barulho, apenas o vento soprando. O cheiro era de putrefação, tudo que se podia ver eram restos de coisas que pareciam ser corpos.
                Crucifiquem-me! Pois eu sou um herege. Mas não sou eu. Não fui eu quem matou os judeus, foram vocês. Não fui eu quem jogou aquela bomba.
                Percam seu precioso tempo julgando e amaldiçoando todos os que são como eu, e tratem de ganhar tempo vendando os que querem ser como vocês.
                Tudo que eu realmente quero nessa noite de chacina, é um pouco de cocaína, e que, pela primeira vez vocês deixem o vento bater em meu rosto. Que pela primeira vez eu possa experimentar um pouco de hipocrisia sem me contaminar.
                Socorro! Pois querem me decapitar. Querem minha cabeça por que ela pensa, querem meus olhos pois eles enxergam, mas não querem minha boca por que ela fala.
                Todos esses corpos tiveram sua língua cortada, sua boca costurada e seu cérebro retirado. Eu vou continuar tomando meu copo de conhaque e fumando meu cigarro até que eles tentem me fazer o mesmo.